segunda-feira, 21 de março de 2016

Esse estado de 'direito' serve a quem?


Não se enganem, o golpe da mídia não está só relacionada a conjuntura política atual. Os principais golpes da mídia passam desapercebidos e acontecem no dia-a-dia. Quando essa mídia usa suas notícias para manipular a opinião pública criminalizando a juventude negra, indígena e periférica a favor da diminuição da maioridade penal reforçando o racismo e sua violência. Quando sabemos bem, quem pagou, paga e vai pagar essa conta. Essa mídia dá golpe, quando criminaliza movimentos sociais, o direito de manifestação e greve de trabalhadores de diversas categorias. A mídia corporativa dá golpe, quando apoia a violência policial contra trabalhadores, professores e estudantes. Dá Golpe, quando se silencia diante de inúmeras chacinas nas diversas periferias do Brasil tomando como normalidade essas execuções genocidas, e ainda, criminalizando as vítimas.

 Óbvio que devemos nos colocar contra as arbitrariedades juristas/midiáticas seletivas e essa ondinha fascista branca, verde e amarela.


 Mas não temos um grande dilema em mãos? O estado de direito garante direitos a quem?  
Nunca garantiu plenos direitos a indígenas, negros e pobres. Pelo contrário, o estado de 'direito' continua sendo instrumento de extermínio desses povos, como foram regimes anteriores.

 Eis o dilema: nos manifestamos contra golpes, arbitrariedades, ditaduras, fascistas... Mas porque, e como, defender um estado de ´direito' feito de instrumento de extermínio de povos indígenas, negros e pobre?
 É esse estado que chacina e vai continuar chacinando  jovens negros nos morros, indígenas por suas terras e pobre nas quebradas. É esse estado que vai continuar expondo à violência mulheres no parto em hospitais. Os mesmos hospitais que negam socorro e atendimento apropriado aos nossos velhos e aos jovens baleados  e rotulados como bandidos pelo racismo. Um estado que tem o judiciário que condena arbitrariamente todos os dias nossos jovens por portar um pinho sol. Um estado que tem a polícia (e exército) que executam e arrastam uma mulher, mãe de família, pela via pública impunemente, que sequestra, tortura, mata e oculta o cadáver de um homem, pai de família. O mesmo estado que executa numa noite 13 jovens na Bahia, 30 pessoas em Osasco e dá medalha aos vermes que fizeram isso.
 Me diz como e porque defender isso? Estado de direito? Direito de quem? E pra quem?

Precisamos URGENTEMENTE de outro modelo de sociedade. Uma sociedade onde preconceitos não cabem, sem justiça com a balança pendendo para um lado em detrimento de outros, sem estado como instrumento de extermínio de povos historicamente injustiçados.

A dicotomia e complexidades estão postas a mesa, sirva-se.
Continuemos a marcha contra um golpe. Mas e os outros golpes diários? Estamos lutando exatamente contra que e a favor de que (ou quem)?
Esse estado de 'direito' serve a quem?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Aqui, nós fazemos cultura diversificada, de todos os gêneros com qualidade e profissionalismo. Você Sabia?



Por Anderson Benelli


 Após ler o artigo de apresentação do Circuito cultural da cidade, publicado no dia 18/02/2016, me veio a reflexão que transcrevo abaixo: (Link da do artigo sobre a apresentação http://www.capital.sp.gov.br/portal/noticia/9568/#ad-image-3)



Eu não pretendo falar por nenhum grupo ou coletivo, apesar de acreditar que muitos possam se identificar com o que vou manifestar, seria muita petulância e arrogância me colocar como a voz que representa uma coletividade tão diversa. Então, não me coloco aqui como representante de uma coletividade, mas como parte, uma pequena parte, um grão dessa coletividade. 


Nós da periferia somos muito ricos em cultura. Apesar do descaso constante do estado.

 Aqui nas periferias (se vocês ainda não sabem, mas sabem e se valem do uso disso), nós fazemos cultura diversificada, de todos os gêneros com qualidade e profissionalismo e queremos ver também os nossos e as nossas artistas nos palcos reconhecidos e bem remunerados.

 É ótimo receber todas as atrações culturais possíveis. Porém, não queremos só receber de forma bancária atrações culturais escolhidas por outrem - O que leva a questão: quem faz e como se faz a curadoria desses artistas? Nós queremos ver nossos artistas, atores/produtores culturais nos palcos sendo contratados, remunerados, reconhecidos e tratados com o respeito merecido. Pois a periferia tem uma produção cultural diversificada, valorosa e muito rica construída na resistência, fazendo uma cena cultural efervescente onde as instituições estatais falharam e falham repetidamente em fazer.

 Então, seria muito bom um pouco de reconhecimento profissional aos nossos atores culturais.

 Repetindo, é ótimo receber nomes consagrados da cultura brasileira. Mas não basta só jogar as atrações lá, tem que divulgar e difundir para que a população saiba que haverá tal show em determinado lugar e possa realmente acessar e usufruir disso. Já que o dinheiro dos seus impostos está pagando o cachê dos artistas e tudo mais. Não adianta pagar cachês, merecidamente ou não, absurdos e o artista se apresentar só para os funcionários do espaço porque a população daquela comunidade nem ficou sabendo que teria algo, como repetidamente acontece.

 Além disso, que tal quando um desses artistas já reconhecidos e com carreira consolidada for contratado pra fazer um show na periferia X da cidade de São Paulo,  em contrapartida contratarem e fomentarem artistas locais como abertura?


 Afinal, são esses artistas locais que mantém uma cena cultural rica durante todo o resto do ano, e quase sempre não são remunerados por isso. Ou esses mesmos artistas servem para subir no palco sendo explorados todo o ano, mas não servem para subir no mesmo palco sendo remunerado? Enquanto, de vez em nunca, aparece um artista consagrado pra fazer show e muito bem remunerado.

 Não era pra ser papel do estado equilibrar a balança? Intervir para garantir igualdade de  oportunidades? Eu sei é esperar muito que o estado cumpra, o que deveria ser, o seu papel. É esperar muito de uma instituição burguesa e seus políticos com campanhas patrocinadas por empresas de iniciativa privada com acordos e cargos de confiança como moeda de troca em contrapartida.
 E não venha me dizer que os pouquíssimos editais preenchem essa lacuna, porque não preenchem. Os míseros editais não garantem um real reconhecimento e remuneração pelos trabalhos culturais prestados por nossos artistas e produtores culturais, no máximo uma pequena, muito pequena mesmo, ajuda de custo. Muito menos processos de licitações feitos pela internet. 


 Muitos dos nossos artistas e produtores locais e seus trabalhos são tão enriquecedores, culturalmente falando, quanto qualquer outro nome aclamado da cultura do nosso país. São tão profissionais quanto. Porém, as instituições estatais, onde elas falham ou não querem atender, se valem das ações culturais dos agentes culturais locais para preencher essa lacuna - pois o acesso e estimulo a cultura é um direito humano que é dever do estado - mas não reconhecem e quase nunca os tratam como profissionais trabalhadores da cultura os remunerando por isso. A união, estados e municípios fazem dessa prática mais um tipo de exploração se beneficiando com tais ações por essas fazerem o papel que deveria ser do estado.

 É revoltante ver as instituições estatais alimentando a gulosa, ambiciosa e bilionária indústria cultural pragmática. Enquanto os/as artistas e produtores culturais das periferias, que não contam com uma gulosa e ambiciosa indústria cultural por trás, mas mantêm culturalmente esses espaços institucionais o ano inteiro, ano após ano com trabalhos de excelência (estando ou não dentro de seus prédios). Mas continuam menosprezados e explorados por essas instituições e seus sistemas burocráticos criados para os deixarem de fora na hora de repartir o bolo.

 Por isso, seria uma felicidade eufórica, se nós moradores da periferia pudéssemos ver nos palcos de nossas cidades, nas periferias e no centro, tratados com respeito, remunerados e reconhecidos como profissionais competentes da cultura que são, os nossos e as nossas artistas de todos e mais variados gêneros e segmentos possíveis. Ao invés, de só recebermos de forma bancária esses artistas de renome reconhecidos, por merecimento ou não, nacionalmente e até internacionalmente, como uma forma de engorda financeira de empresas da iniciativa privada e contrapartida de apoio político partidário.

 Para finalizar esse desabafo manifesto repito:
Aqui nas periferias (se vocês ainda não sabem, mas sabem e se valem do uso disso), nós fazemos cultura diversificada, de todos os gêneros com qualidade e profissionalismo. E queremos ver também, por obséquio, os nossos e as nossas artistas nos palcos sendo fomentados, reconhecidos e bem remunerados.



quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Escola e presídios cada vez mais parecidos.



Democracia onde? Isso se chama aristocracia, decisões concentradas nas mãos de poucos e empurradas guela abaixo de forma autoritária e arbitrária. Não existe democracia quando o estado é propriedade privada de alguns que concentram a maior parte da renda em suas ações e contas no exterior e compram mandatos políticos através de patrocínio de campanhas devassas. "Eu banco seu mandato e você faz e defende tudo que me interessa meu pau mandado". 


E Quando o oprimido se rebela o opressor se revela...
... em suas ações repressoras.

E sabemos bem que, apesar de ser uma escola pública se a Fernão Dias, (...dar o nome de bandeirantes à escolas já mostra a real finalidade dessas...) fosse nos extremos periféricos da cidade, a ação da polícia seria ainda mais truculenta, violenta, repressora e irracional. Porque, nas periferias já estão acostumados a fazer acontecer conforme bem entender, lavarem suas mãos em sangue, saírem impunes e ainda serem condecorados com medalhas. Afinal, quando a violência policial bandeirante é na periferia aqui tudo pode, ninguém nada vê, ninguém nada sabe.

Mas, ao menos, algo positivo. A desobediência e enfrentamento de alunos, alunas e alguns professores/as mostra que, mesmo tendo um projeto de escola como instrumento de controle social de: sente, cale a boca e obedeça, apesar de ter grande impacto e êxito, ainda não consegue atingir e anestesiar a juventude e o povo em sua totalidade.
Viva a rebeldia juvenil! E que ela dure até morrermos de velhice.

Não precisamos reorganizar as escolas, precisamos reinventá-las.

Pelo fim da polícia como instrumento de extermínio e encarceramento da juventude do povo negro, indígena, pobre e periférico e contenção da vontade do popular.

#Pelofimdapolícia
#Pelofimdoestadocomoinstrumentodecontrole
#Pelofimdaescolacomoinstrumentodecontrole
#Contraareorganização

#PorumaEducaçãolibertária

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Fim de feriado prolongado. Bem vindo ao lar!




É FODA!
É foda. Você chega em casa depois de alguns dias de desligamento e relaxamento em um rolê louco com os seus e dá de cara com o stress concentrado da megalópole e da guerra civil/étnica instaurada pelo estado, ou melhor dizendo, extermínio.

Num piscar a megalópole te rouba a brisa. Desde a brisa da menina, que saindo do mar jogando o cabelo afro, te leva a imaginar a Rainha Oxum (sei que Oxum é a rainha das águas doces, mas foi quem me deu a impressão de ver naquele momento) à energia ancestral emanando na roda de samba com a juventude cantando junto e em reverência aos mais velhos da comunidade. É colocar o pé na megalópole que ela te rouba a brisa de um role louco com encontros, pessoas, momentos e trocas enriquecedores.

Você chega do rolê e vai caminhando na madrugada pelas quebradas a caminho de casa. E no caminho pensa... sempre curti andar de madrugada pela cidade e de repente começa a perceber a energia tensa emanando das ruas e paredes da selva de pedra, ruas e paredes banhadas do suor e sangue d@s Noss@s. E sem nenhuma intenção, automaticamente, todos os instintos de sobrevivência adquiridos durante a trajetória de vida são ativados.

Logo após isso, você vê uma mano andando na mesma direção a sua frente com uma garrafa na mão, ele olha para trás e te ganha, pára, olha para um lado, para outro te fita nos olhos e continua olhando para os lados como se estivesse garantindo que não havia mais ninguém ali. Ele fica parado até você chegar nele te fitando nos olhos. É inevitável a malícia adquirida nas ruas da quebra te faz perceber uma certa maldade no gesto do mano, e então você se prepara para o embate reerguendo e reforçando todas suas barreiras e instintos. A caminhada continua no mesmo ritmo o mano continua parado te fitando, mas agora você já se armou, mudou o olhar, a postura, caminha com passadas firmes e cabeça erguida fita o olhos sem desvios, sem mostrar receio ou dúvida, agora já demostra tanta ou mais disposição do que o mano e com olhar e expressão corporal diz sem dizer, 'o que você quiser eu quero em dobro". Depois disso, já perto do mano com a voz firme e forte antes que ele diga você diz: SALVE! QUE QUE PEGA? Ta aí vacilando sozinho na rua mano? E o mano embriagado fica sem ação. Você passa por ele, ele fica parado por um tempo te fitando com olhos, você segue seu caminho e agora, ele o dele.


O dia amanhece... aí você fica sabendo que no feriado de nossa senhora, difundido pela publicidade da industria do comércio como dia das crianças, uma mulher e um adolescente (sua criança) foram espancados, torturados em plena luz do dia no meio da rua por policiais, provavelmente uma mãe que foi defender o filho de mais uma de tantas ações arbitrárias da polícia aqui e em todas quebradas do Brasil.
No dia das crianças as Nossas receberam de presente do estado spray de pimenta.


E a coisa não para por aí, você fica sabendo, que a polícia jogou o carro em cima de dois jovens de moto, espremendo os dois contra outro carro para DEPOIS, DEPOIS e só DEPOIS, ser averiguado que ambos não deviam nada e não estavam armados.
Além disso, te contam que uma mulher bêbada atropelou e matou uma criança de três anos e a população revoltada queria fazer justiça ali mesmo. Mas a motorista bêbada que assassinou a criança sumiu.

Ah, e também, por último mas não menos importante, descobre que sua avó esta internada no hospital com problemas respiratórios, provavelmente uma recorrência de um problema de saúde já 'tratado' pelo serviço de saúde do estado.
Tudo isso no primeiro dia que você retorna a quebrada, ao lar.
E isso, só mostra que esses rolês para desligamento e relaxamento são cada vez mais necessários. Porém a realidade faz questão de te mostrar e falar: "ACORDA JÃO!!! NÃO SONHA MUITO NÃO, pé no chão, pé na terra".

Mesmo assim, o sonho segue! A luta segue!
SP/capital - "Zona sul é stress concentrado" e o mais triste é saber que todas as quebras do Brasil a situação não é diferente.

Fim de feriado prolongado. Bem vindo ao lar!

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

QUEM PRECISA DE QUEM?!

Compartilhe no seu WhatsApp =D
Hoje ao navegar por uma rede social me deparei com a seguinte manchete:

Culturas indígena, afro e periférica afirmam sua existência na Bienal . kkkkkkkkkkkk. Não é pra rir?

Parabéns a tod@s que estarão por lá, mas... NÃO!



NÃO! Essas manifestações culturais não precisam do reconhecimento do circuito burguês da "arte", nem de suas instituições e nem de seu mercado para se afirmarem como tal. 

Não é uma piada essa manchete?

Como se essas manifestações culturais (algumas milenares) precisassem de, autorização, reconhecimento ou carimbo dessa instituição elitista para afirmarem sua existência e importância. 
ELAS (R)EXISTEM e ponto. Independente de Bienal existir ou não. Na verdade é o contrário, a Bienal está tentando afirmar e justificar a continuidade da sua existência e está recorrendo a essas (nossas) manifestações, há alguns anos, para isso. 


Enfim, essas manifestações não precisam do reconhecimentos deles, mas eles precisam delas para se afirmarem e reforçarem seu status quo. 



    As culturas indígenas, afro-brasileiras e periféricas SÃO, (R)EXISTEM e se (RE)CONHECEM VALOROSAS E IMPORTANTES! Assim como os povos e indivíduos que as produzem. 



QUEM É, É. 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Ter ou não ter Bienal?



Por Anderson Benelli


Contagem regressiva... 

O tempo passa, (tic tac), e a possibilidade da 30ª Bienal de São Paulo ser adiada ou não acontecer aumenta alimentando a polêmica. As contas da instituição estão bloqueadas por inadimplência desde o dia 2 de Janeiro e diante da possibilidade da mostra não acontecer surgem apoiadores que, através da imprensa, redes sociais e petição online, tentam pressionar os órgãos e representantes públicos a desbloquearem as contas da instituição para que a 30ª Bienal aconteça.

Algumas matérias e comentários procuram atacar e desvalidar os órgãos fiscalizadores, (CGU, TCU, MinC) pressionando e responsabilizando representes públicos caso a mostra não venha acontecer. Isso não seria uma inversão de valores e de responsabilidades?

Mas, também existem os que são contrários reforçando o debate questionando: 

Será mesmo, que devemos apoiar a instituição diante das circunstâncias apresentadas?

A importância da Bienal de São Paulo para o fomento da arte brasileira é inegável, assim como para o sistema artístico burguês. Afinal, como as transações financeiras e negociatas serão fechadas sem a grande feira? 

Como é inegável também, o esforço admirável dos educadores e educadoras em subverter a grande feira numa exposição de arte com real inclusão do povo, onde o mesmo não seja tratado como corpo numérico girando a catraca.

Enfim, a importância da Bienal é inegável. Mas isso não a coloca a cima do bem e do mal. A instituição e sua má gestão, seja do passado ou não, é a única responsável pelos atuais acontecimentos e cabe a mesma prestar contas do que foi feito com o dinheiro público.

Se a instituição não consegue justificar onde o dinheiro foi aplicado tem alguma coisa errada aí, não? A questão persiste: não seria um equívoco apoiar a Bienal nessas circunstâncias? Ou todos(as) também apoiariam um político que não consegue explicar onde foi parar o dinheiro público de sua gestão?

A Bienal cavou o próprio buraco e o papel de vítima não lhe cai bem. Seria isso, uma tentativa de ter a opinião pública a seu favor pressionando o desbloqueio de suas contas? Cabe a fundação a responsabilidade de reparar os erros e, se for o caso, repor o dinheiro público usado de forma não justificável, deixando a prestação de contas em dia junto aos órgãos financiadores e fiscalizadores. 

Caso a Bienal não aconteça (o que é muito difícil, mas pode acontecer) será uma grande perda, mas a única responsável por isso, caso se confirme, será a própria.

Nos resta torcer para que a 30ª Bienal de São Paulo aconteça, mas com transparência e prestações de contas em dia.



Links relacionados:

A MANOBRA: Ministério da Cultura abre operação para realizar Bienal






quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A Presença Invisível de um Gigante Estrangeiro No Vale do Anhangabaú





Por Anderson Benelli
Imagem retirada do site oficial da dupla OsGêmeos
Na terça-feira, dia 14/02/2012, a obra g intitulada Estrangeiro da dupla OsGêmeos, intervenção feita no Vale do Anhangabaú durante as comemorações do ano da França no Brasil, foi apagada pela Prefeitura de São Paulo.
A dupla se pronunciou através de seu site oficial comunicando estar fora do país a trabalho e lamentando o fato. MAS, informando que já se sabia que a obra seria temporária desde o início pois o edifício seria demolido. O que não desvalida o erro por parte da prefeitura o gigante só deveria sumir junto com o prédio, se este vir a ser demolido um dia.

A gestão da prefeitura mais uma vez mostra sua imbecilidade. Já haviam apagado outro  mural da dupla OsGêmeos, se não me engano em parceria com a Nina Pandolfo e Nunca, na Av. 23 de Maio, sob a desculpa de ter sido um engano por parte da empresa contratada. Na ocasião tiveram que pagar os autores do mural para fazer outra obra no mesmo lugar. Ou seja, a prefeitura pagou para apagar para depois pagar para refazer, gastando o dinheiro público duas vezes. 

A atual gestão, não só da cidade mas de todo estado de São Paulo,, segue sua política higienista, apagando pixações e Graffiti, espancando estudantes na USP, doentes viciados na cracolândia, expulsando famílias de suas moradias de forma ditatorial e violenta em Pinheirinho e no Centro da cidade. E assim, negando o direito constitucional que garante, pelo menos no papel, um teto a essas famílias. |sso sem citar as favelas localizadas em áreas de especulação imobiliária que "misteriosamente" pegam fogo, como foi o caso da Favela do Moinho. 

Mas, o mais irônico disso tudo, é que, assim como não conseguem apagar o povo oprimido da cidade, pois este é a própria cidade., Não conseguiram apagar o gigante Estrangeiro. Pois, ele ainda está lá, bem mais feio é verdade, mas a silhueta CINZA ainda marca a sua presença invisível.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

REALMENTE VERGONHOSO - Resposta ao artigo publicado no site da revista veja




A mídia global não perde a oportunidade de atacar o MST, um dos mais importantes movimentos populares que luta bravamente no dia-a-dia sem nenhuma visibilidade positiva na mídia. Só aparece na mídia burguesa e coorporativista em tentativas de criminalização desse movimento, um dos mais autênticos entre os movimentos populares deste país. E em tentativa de diminuir ou anular sua importância, sem medida, para as famílias, trabalhadores rurais e na luta incansável pela reforma agrária, política (lutando contra a corrupção) e justiça social deste país ENTRE MUITAS OUTRAS COISAS. Vergonhoso é essa mídia hipócrita e sem ética, e seus maus "profissionais" de postura, no mínimo, duvidosa, que com suas falácias manipulam a opinião pública e tentam criminalizar movimentos populares autênticos. Essa mesma mídia, que quando escuta falar de regulação e democratização dos aparelhos de comunicação treme. Isso Sim é vergonhoso.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO SIM, mas com responsabilidade e compromisso com a verdade.



P.S. As marchas são de valores inestimáveis e sempre serão bem vindas. Mas sempre desconfio de "marchas" patrocinadas por essa mídia suja e sem compromisso com a verdade.


Artigos relacionados: 

Por que a população não sai às ruas contra a corrupção?...




Projeto Rua D'Arte: Graffitagem a todo vapor: No último final de semana, depois de estudarmos algumas técnicas de spray e  estêncil nas oficinas anteriores, educandos(as) e educadores...


Um pouco da prática educativa...



quarta-feira, 13 de abril de 2011

Hip Hop é COMPROMISSO



Resposta a matéria O Rap saiu do gueto da revista época
Por Anderson Benelli

Nossa que matéria alienada e alienadora, ao que parece, escrita por quem não sabe nada da cultura Hip Hop, com um recorte que induz o conflito entre as diferentes vertentes do Rapbr.

 A diversidade musical, de ritmos e temas é, e sempre será, bem vinda, mas reduzir o RAP e o movimento Hip Hop a publicidade de marcas famosas, como diz a matéria, reforçando ainda mais a alienação do sistema capitalista consumista, "porque as minas gostam", o tornando mais uma ferramenta de alienação no mercado da música e nas mãos da elite, é uma vergonha.
 Está claro, que a mídia e o mercado da música e seus produtores estão se esforçando para esvaziar o rap e o movimento Hip Hop através de uma higienização, como  fizeram com o samba, o tornando mais um produto de embalagem bonita na pratileira sem nada a dizer.
Além disso, tentam rachar o movimento incitando preconceito (uma das causas de engajamento da qual o movimento luta para eliminar) e mal estar entre as diferentes linhas de abordagem do RAP e seus artistas e militantes.
 É claro que a maneira de se fazer RAP mais radical, indignada e direta vai ser criticada. Pois ela fala diretamente ao povo oprimido, instigando à reflexão e conscientização sobre as injustiças sociais impostas por um sistema escravocrata. Essa conscientização é uma  ameaça a hegemonia da classe dominante que teme toda manifestação subversiva que propõe mudança. O que eles pretendem com isso? Abafar a voz do povo,  garantindo o sucesso da cultura do silêncio nos negando o direito a palavra. Mantendo assim, a estrutura de nosso sistema social.
 Além disso, o amor e amizade sempre foram abordados no RAP durante toda década de 1990, toda e qualquer manifestação indignada com as injustiças sociais se funda no amor, mesmo que seja expressada de forma radical e rebelde.
 Criticar a linha mais pesada do RAP que deu a cara a tapa e sofreu com preconceitos tornando a visibilidade e o espaço que essa nova geração esta tendo possível, é no mínimo ingratidão.
 Há inúmeras maneiras de se abordar um mesmo tema e todas elas são válidas não existe melhor ou pior cada um segue sua linha. E se as injustiças sociais existem, e não se enganem elas estão tão presentes quanto antes, elas devem ser tema, sim, de um movimento cultural que lutou e LUTA pela liberdade, igualdade de oportunidades e tratamento. Mesmo que abordada de formas diferentes. Quanto mais diversidade de temas e abordagens, dos velhos e mesmos problemas que persistem em nossa sociedade, melhor.
  O único Rap que explora a miséria é aquele que sobe sustentado pelo povo e ao subir vira as costas para a periferia que tornou essa ascensão possível. 
 A expansão da cultura Hip Hop para outras classes sociais é positiva e até natural, o que é negativo, é dizer que a cultura saiu do gueto, como sugere a matéria, é querer centralizar a cultura e passar a negar a periferia, quem fizer isso vai cometer um suícidio. O modismo passa.
  A diversidade e mudança, se ocorridas de forma natural, agregam valor e não devem ser criticadas, há espaço para todos.
 Agora, aos que estão se preocupando em vender seu peixe forçando uma mudança para se adaptar ao mercado e pregar a alienação consumista do capitalismo selvagem, ao invés de conscientização, digo que não foi rebolando que um grupo de RAP vendeu 500 mil cópias em uma semana e mais de 1 milhão e 500 mil cópias de um disco. E ao contrário do que alguns pensam, não foi graças a classe média, é bom lembrarmos que só na região do Jd. Angela na zona sul de São Paulo temos, aproximadamente, um milhão de habitantes.

É bom lembrarmos " O ser humano vive da dignidade e não da aparência". Por isso, por favor, não vamos reduzir um movimento cultural pela liberdade a mais uma ferramenta de alienação e manipulação.

Lembrem-se: Cultura Hip Hop é COMPROMISSO com os injustiçados e oprimidos do mundo.